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Região e História

Região e História...

"Couto, Pouso Alto é um nome estupendo. Parece nome de ninho de águia. Pouso Alto. Absolutamente sereno. É um programa." (O trecho de uma carta enviada por Manuel Bandeira ao amigo Ribeiro Couto, quando ele residia em Pouso Alto, data de 25 de agosto de 1925).

O Hotel SERRAVERDE foi construído no antigo "Cruzeiro" do aldeamento de Nossa Senhora da Conceição dos Pousos Altos, símbolo da fé cristã dos desbravadores daquele tempo. Este local, o segundo povoamento no território das Gerais, surgiu em apoio às Bandeiras de prospecção que nasceram na metade final do século XVII.

Na década de 1690 foi descoberto ouro nas Serras Gerais, o chamado Sertão do Cuieté, hoje o estado brasileiro de Minas Gerais. A interiorização do povoamento deu origem à Capitania das Minas Gerais, separada da Capitania de São Paulo ainda na década de 1720.

O povoado de Nossa Senhora da Conceição dos Pousos Altos, ao longo dos anos, foi adormecido pela carência da "riqueza fácil" e extinção do movimento, mas preservado pelo apoio logístico. Afinal, aí cruzara a "Trilha do Ouro" e agora passava a "Estrada Real", mas, naturalmente, a região sul mineira encontra sua prosperidade como celeiro alimentício da cidade do Rio de Janeiro.

A produção, transportada por tropas e carreiros atravessa a "Amantigir, a Serra-que-Chora" (hoje, Serra da Mantiqueira), o grande obstáculo do percurso que, com o uso contínuo, torna-se corriqueiro no caminho para a capital do Império. Como Pouso Alto, o local cresce e prospera.

Consequentemente, se inclui na nobreza brasileira com dois títulos nobiliárquicos locais: Francisco Teodoro da Silva, o Barão de Pouso Alto e Joaquim Pereira da Silva, o Barão de Monte Verde.

Nesta mesma época, na Corte, o casamento da Princesa Izabel com o Conde D'Eu revela sua esterilidade, levandoa Princesa ao tratamento de águas nas fontes "milagrosas" de Caxambu. Assim, durante duas temporadas, ela passa por Pouso Alto, onde se refresca e descansa na residência do Barão de Pouso Alto.

Com tantos atrativos, Minas Gerais passou a ser buscada por todos os meios.

Já havia o Caminho Imperial (Estrada Real), a Rodovia União Indústria (ligando Petrópolis a Juiz de Fora), e, agora, surgiam os caminhos de ferro com a inauguração da Estação de Pouso Alto, em 1884, por D. Pedro II.

Com a República e a intensificação do transporte comercial, surge o segmento de passageiros e, consequentemente, o entorno da "Estação de Pouso Alto" se urbaniza e passa a disputar com a "Cidade" uma maior importância local e regional.

Facilitada por divergências políticas na Cidade, o que impedia uma possível integração, a Estação ganha notoriedade pelo transporte fácil, eficiente e uma topografia amena. Entretanto, as divergências afastam ainda mais as pessoas, o que faz surgir a cidade de Itanhandu. Por fim, até o Fórum da Cidade é transferido para a Estação. No entanto, a cidade de Pouso Alto ressurge com a passagem da rodovia para Caxambu por sua área urbana e, posteriormente, pelo término do transporte ferroviário.

Hoje a Estrada Real transpassa o Hotel SERRAVERDE como a principal artéria de ligação da sede com o seu espaço rural.

No entorno, uma vegetação recriada com o renascimento das espécies nativas apresenta alternativas de passeios. E, no local, durante as noites mais longas e escuras, diz o poeta ainda escutar o "tropel dos tacões de couro cru... e o tilintar dos sabres, facões e bacamartes". Assim são as "velhas cidades, como esta de Conceição dos Pousos Altos, que jamais perderão o seu ar de fatalismo continental, sua majestosa serenidade, sua fisionomia austera e, sobretudo, o orgulho de sua origem tecida de pura e misteriosa brasilidade".

Estrada Real

A ESTRADA REAL

Em meados do século XVIII já eram muitos os caminhos que conduziam às minas de Minas Gerais, mas também muitos eram os seus descaminhos. Para evitar estes descaminhos a Coroa Portuguesa determinou que o ouro e os diamantes deixassem as terras mineiras apenas por trilhas outorgadas pela realeza, que receberam o nome de Estrada Real.

Inicialmente, o caminho ligava somente a cidade de Paraty às províncias auríferas do interior de Minas, a antiga Villa Rica, hoje Ouro Preto (Caminho Velho). No entanto, a Coroa Portuguesa percebeu a necessidade de um trajeto mais seguro e rápido ao porto do Rio de Janeiro, surgindo então o caminho novo. Ainda no século XVIII, surgiram outras trilhas para exploração dos diamantes – o belo Caminho dos Diamantes.

Cercados de natureza exuberante e por pessoas acolhedoras, hoje estes caminhos levam seus visitantes a conhecer belos atrativos de cada cidade, a cultura, a história e até o passo a passo daquele maravilhoso pão de queijo servido com um delicioso café quentinho ao pé do fogão a lenha.

Com 1600 km de extensão, além de sua importância como eixo principal do ciclo do ouro, a Estrada Real exerceu papel fundamental no desenvolvimento político, cultural e socioeconômico do Brasil.

ATAM

TERRAS ALTAS DA MANTIQUEIRA

A 'Associação Terras Altas da Mantiqueira (ATAM)' obteve o seu primeiro Certificado de Circuito Turístico de MG em 25 de março de 2006 e tem as renovações subsequentes sempre em dia. Desde 1999, com gestões bienais e exercício compartilhado, a ATAM projetou a região no cenário nacional por meio de uma marca forte - Terras Altas da Mantiqueira - já reconhecida pelo mercado por sua identidade e singularidade - e avança em busca de resultados estratégicos e operacionais, visando dar à Associação robustez, foco, mecanismos de sustentabilidade e maior agilidade na conquista de resultados para seus associados, municípios, empresários e comunidades.

Atualmente, o Circuito Turístico Terras Altas da Mantiqueira é composto pelos municípios de Aiuruoca, Alagoa, Itamonte, Itanhandu, Passa Quatro, Pouso Alto, São Sebastião do Rio Verde e Virgínia.

Missão da Associação Terras Altas da Mantiqueira (ATAM)

Sensibilizar e envolver representantes de todas as instâncias - poder público, empresários, sociedade civil e instituições de ensino - para a atividade turística, criando estímulos necessários para contribuir de forma profissional, com o desenvolvimento sustentável da região.

Saiba mais...

UMA VIAGEM ATRAVÉS DO TEMPO DAS MINAS GERAIS...

No dia 23 de janeiro de 1880, um imigrante italiano desembarcou na cidade do Rio de Janeiro, onde se demorou por alguns dias, seguindo logo para São Paulo, pois a febre amarela era endêmica na Côrte. Em meados de 1882, transferiu-se para a Província de Minas Gerais, onde o tifo amarílico dificilmente chegaria, indo residir e estabelecer-se em São José do Picú, mais tarde conhecido como São José do Itamonte e, hoje, simplesmente, Itamonte. Lá se casou, em 18 de agosto de 1887 com uma descendente de italianos. O casal mudou-se para Passa Quatro em 1º de maio de 1888, onde ele se estabeleceu com negócio de secos e molhados e, posteriormente, com comércio de fumo em corda, o qual se tornou perito. Como Correspondente Consular Italiano, prestou ótimos serviços a seus compatriotas desertores da guerra de 1914/1918, dentre esses serviços – apesar do agravante da deserção - obteve a revogação das condenações de muitos deles para assim, voltarem à Itália quando quisessem, sem qualquer constrangimento.

Nesta mesma época, ainda na cidade de Passa Quatro, um jovem recém casado enfrentava um problema peculiar: sua mulher, muito bonita e atraente, atraía olhares cobiçadores. Ele, de temperamento explosivo e extremamente ciumento, resolveu evitar o pior e transferiu-se, juntamente com sua esposa, para o mais alto ponto da serra; a uma altitude quase inacessível longe de tudo, principalmente da civilização!

Arranchados nesse local ermo, começaram a dura luta pela permanência e subsistência. O casal se completava no trabalho difícil e perigoso. Tão árduo que, após um ano e com um filho, ele propôs desistir; "... vamos voltar à cidade". Mas, para sua perplexidade, sua mulher que, apesar da pouca idade, porém amadurecida pela vida – fincou o pé: "... só voltarei após vencer!" Resultado, dali eles não saíram mais.

Naquela época, este local era pitorescamente conhecido como "Jacú" e ao longo do tempo, veio a chamar-se SERRAVERDE, mudança esta imposta pela rigidez de um padre que, julgando o nome anterior “desqualificado”, exigiu tal alteração. Assim permanece até hoje.

No dia 26 de novembro de 1921, estas duas famílias, através do casamento de seus filhos, constituiram os "D’Alessandro Sarmento". Em 16 de novembro de 1976, seu primogênito, Hélio D’Alessandro Sarmento, até então jornalista, Diretor Comercial e criador dos "Classificados" do antigo Jornal do Brasil, concretizou seu sonho; aproveitou a formação superior em hotelaria na Suíça do seu filho, Carlos André e construiu, na antiga Nossa Senhora da Conceição dos Pousos Altos, hoje cidade de Pouso Alto, um hotel e denominou-o SERRAVERDE, o Hotel SERRAVERDE!

A empreitada, que inicialmente foi classificada como uma aventura "sem propósito", revelou-se já nos primeiros anos de operação, um diferencial da hotelaria da época. Integrado na natureza de forma harmônica, sua construção e instalações se distinguiram; sua qualidade operacional viabilizou-se, introduzindo uma nova perspectiva hoteleira para o interior do país; e sua localização trouxe uma inusitada visão ao mercado turístico. Nascia então o turismo de lazer rural.

Anos mais tarde, aproveitando a idéia iniciada pelo Hotel SERRAVERDE, em operação desde o final dos anos 70, teve início outra transformação: fazendas improdutivas ou propriedades rurais decadentes se viabilizaram, economicamente falando, operando como meio de hospedagem. Surgiam então, os "Hotéis Fazenda".

Porém, o diferencial do "SERRAVERDE" persiste desde seu nascedouro: agrega a operação de um "Hotel Fazenda" incomum à vida rural de Minas Gerais; harmoniza o padrão suíço à mineirice, e alia o passado ao presente; pois, a ligação entre o hotel e seus diversos atrativos foi, anteriormente, conhecida como o "Caminho do Ouro", trecho onde, em 1673, passaram as penetrações no território "além da Amantiquira" (Serra da Mantiqueira). E, a partir do século XVIII, neste mesmo local, graças à descoberta do ouro em Minas, e posteriormente dos diamantes, transpassaram quantidades "imensuráveis" de riquezas. Tanto que, para melhor controle, sua denominação oficializou-se como "Estrada Real", cujos vestígios atualmente, cortam o Hotel SERRAVERDE ao longo da sua extensão!

Artur da Távola, nosso saudoso escritor, elegeu o Hotel SERRAVERDE como seu local de descanso. Lá, deixou registrado o seu pensamento:

"...a capacidade de ordenar necessidades ancestrais e proteções avoengas, dentro de impecável padrão, de uma formidável e bela arquitetura respeitosa da profundidade mineira, fazem do SERRAVERDE uma nova concepção turística e humana".

Carlos André Sarmento
Diretor Presidente
Hotel SERRAVERDE

NOSSA SENHORA DA CONCEIÇÃO DOS POUSOS ALTOS

Hoje, simplesmente, POUSO ALTO: As primeiras referências encontradas sobre Pouso Alto são de 1673, época em que começaram as penetrações no território, além da "Amantiquira". Foram as bandeiras de Piratininga e Taubaté que romperam a serra e abriram o caminho na conquista do território, à cata de ouro e de gentios. Junto ao Ribeirão, que se avista cortando a cidade, viviam os índios goitacás.

Por aqui passou a Trilha do Ouro, que vai de Paraty a Tijuco (atual Diamantina), aberta pelos bandeirantes paulistas, na segunda metade do século XVII. Foi, a partir dessa época, que se intensificaram as bandeiras em busca de riquezas minerais, devido, em parte, ao declínio da exploração da cana-de-açúcar. Esses caminhos, e depois a Estrada Real, serviram para que se fizesse ocupação da primeira grande zona econômica do interior da colônia. Por eles transitaram membros da corte, bandeirantes, colonos, escravos, índios e, depois, negros, mulas de carga, gado e mercadorias.

O percurso do pequeno trecho entre Pouso Alto e Baependi se mistura às paisagens rurais e vilarejos e fica, por vezes, difícil de ser seguido, sem o auxílio de mapas ou de um guia especializado. Assim, este caminho de 39 Km, perdeu-se na história colonial brasileira.

A fundação de Pouso Alto é atribuída ao paulista de Guaratinguetá, João dos Reis Cabral, que aqui se fixou em 1675 e obteve a sesmaria das terras que vão até o alto da Mantiqueira. Antes dele, porém, o bandeirante Antônio Delgado da Veiga fincou o cruzeiro no alto do morro, onde está o Hotel SERRAVERDE, e iniciou a construção de uma capelinha, no mesmo lugar da Matriz atual.

Na guerra dos Emboabas, Amador Bueno da Veiga, que era o chefe dos paulistas, fez, em Pouso Alto, o seu quartel-general. Daqui, ele partiu para o encontro sangrento junto do rio que tomou o nome de Rio das Mortes. Em 1752, foi dada provisão para erigir a Matriz de Nossa Senhora da Conceição dos Pousos Altos. Em 1784, Pouso Alto teve o seu primeiro curato, o padre Vital Gomes Freire. Só em 1832 foi elevado à freguesia. Em 1714, a Província de Minas Gerais contava quatro comarcas: Vila Rica, Serro do Frio, Sabará e Rio das Mortes (hoje São João del-Rei). Pouso Alto era a paróquia de Sant'Ana do Baependi, Vila e Termo do Rio das Mortes.

A elevação de Pouso Alto a município ocorreu em 1874 e, quatro anos depois, foi elevado à Comarca. Na nobiliarquia brasileira, Pouso Alto contribui com dois barões: o Barão de Pouso Alto (Francisco Teodoro da Silva) e o Barão de Monte Verde (Joaquim Pereira da Silva).

O caminho que passa dentro do Hotel Fazenda SERRAVERDE (ligando o hotel à sua horta), é a antiga Estrada Real e foi percorrido pela Princesa Isabel, quando de seu pernoite em Pouso Alto. Em 1884, quando foram inauguradas a estrada de ferro e a "Estação de Pouso Alto", (hoje São Sebastião do Rio Verde), D. Pedro II recebeu uma homenagem de todos os moradores locais e povoações vizinhas. Parte da história de Pouso Alto perdeu-se no incêndio que destruiu, parcialmente, a velha Matriz. Em época mais recente, aqui viveu o escritor Júlio Ribeiro, autor do famoso romance A CARNE; depois, o poeta Manuel Bandeira, vindo à procura de uma recuperação da saúde; Ribeiro Couto, diplomata, poeta e escritor, tendo sido, durante quatro anos, promotor em Pouso Alto. E aqui escreveu a novela CABOCLA, revivida através da televisão.

O município tem hoje 6000 habitantes, sendo metade na área urbana. Dispõe de um hospital, um posto de saúde, um asilo para velhos mantidos pela Irmandade São Vicente, um ginásio, colégio, APAE, grupo escolar e vinte escolas rurais. Suas atividades econômicas são a pecuária e a lavoura, seguidas de produção de laticínios e engarrafamento de água mineral (Água Mineral Pouso Alto). Na área urbana, existem mais de mil casas e, no município, cerca de oitocentas propriedades rurais, além de quatro mil nascentes de água.

POEMA DE MANUEL NORONHA DEDICADO A POUSO ALTO

"De súbito, dentro da noite os ventos galopando os contrafortes da Mantiqueira e varrem as ruas quietas e centenárias da velha Nossa Senhora da Conceição dos Pousos Altos. Cuido ouvir o rude vozerio dos homens de Piratininga rompendo pântanos e matagais, triturando o solo bravio, subjugando as distâncias, no ano da graça de mil seiscentos e setenta e quatro... Ouço seus imperiosos brados, o pateado e o resfolegar das alimárias, tropel dos tacões de couro cru no pátio arenoso e no tilintar dos sabres, facões e bacamartes... Amanhã eles partirão em demanda da serra de Itacambira, em busca de suas pedras sobrenaturais... Muitos ficarão perdidos no verde silêncio das selvas fascinantes das Minas Gerais... Contudo, deixarão atrás de si, além de sua lembrança, de seus feitos e temeridades, velhas cidades, como esta de Conceição dos Pouso Altos, que jamais perderão o seu ar de fatalismo continental, sua majestosa serenidade, sua fisionomia austera e, sobretudo o orgulho de sua origem, tecida de pura e misteriosa brasilidade!".

TERRAS ALTAS DA MANTIQUEIRA

O Hotel Fazenda SERRAVERDE está localizado na região do Sul de Minas Gerais denominada Terras Altas da Mantiqueira. Trata-se da região brasileira de maior altura média (mais de 1200 m de altitude) e é considerada a maior reserva natural dos campos de altitude em território brasileiro, o que, hoje, é, extremamente, raro. Ainda encontramos quatro parques florestais: Floresta Nacional de Passa Quatro (ICMBio), Parque Estadual do Papagaio, APA da Mantiqueira (Área de Preservação Ambiental da Mantiqueira) e o Parque de Itatiaia, este o mais antigo Parque Nacional do Brasil e que guarda os seus maiores atrativos naturais - até hoje ainda totalmente virgens.

A bacia hidrográfica local é formada pelos rios Capivari, Passa Quatro, Lourenço Velho, das Lavras, das Pedras, Aiuruoca e Verde.

Os seguintes municípios integram esta região: Alagoa, Itamonte, Itanhandu, Passa Quatro, Pouso Alto, São Sebastião do Rio Verde, Virgínia, Marmelópolis e Maria da Fé. Em tupi-guarani, "mantiqueira" quer dizer "serra que chora". A tradução é perfeita para as Terras Altas: nas redondezas, são inúmeras as cachoeiras para a prática de rapel ou, simplesmente, para um refrescante banho. As corredeiras são ideais para praticar bóia-cross e canoagem, enquanto os rios atraem para a pesca da truta - existindo até a atividade de pesca esportiva tipo Flying Fishing.

Em terra firme, as atividades se dividem nas trilhas para trekking, passeios a cavalo, de jipe ou bicicleta. Os caminhos levam a currais, onde é gostoso tomar o leite recém-tirado da vaca, e às paisagens que descortinam bosques de araucárias, Mata Atlântica e picos elevados - ideais para a prática de alpinismo e voo livre.

Se as atrações são diversas, algumas características fazem parte do estilo de vida da região: o sossego, a tranquilidade, a hospitalidade dos moradores, o aconchego dos hotéis e pousadas, o sabor da culinária mineira.

"MANTIQUEIRA QUE CHORA"

Conta a lenda que havia uma princesa encantada da Brava Tribo Guerreira do Povo Tupi. Seu nome o tempo esqueceu, seu rosto a lembrança perdeu, só se sabe que era linda. Era tão linda que todos a queriam, mas ela não queria ninguém. Vira homens se matarem por vê-la. Tacapes velozes triturando ossos, setas certeiras cortando carnes. Como poderiam amá-la se não amavam a si próprios? A Bela Princesa se apaixonou pelo Sol, o guerreiro de cocar de fogo e carcás de ouro, que vivia lá em cima, no céu, caçando para Tupã.

Mas o Sol, ao contrário de tantos príncipes, não queria saber dela. Não via sua beleza, não escutava suas palavras nem se detinha para tê-la. Mal passava, cálido, por sua pele morena, sua tez cheirando a flor, mal acariciava seus pelos negros, suas pernas esguias e, fugaz, seguia impávido a senda das horas e das sombras. Mas ela era tão bonita que, seus pequenos túrgidos seios, seus lábios de mel e seiva, sua virginal lascívia acabaram também encantando o Sol. E o Guerreiro de Cocar de Fogo fazia horas de meio-dia sobre o Itaguaré...

A Lua mal surgia sobre a serra, já sumia acolá. Logo, não havia noite. O Sol não se punha mais e não havia sono, não havia sonho, e tão perto vinha o Sol beijar a amada que os pastos se incendiavam, a capoeira secava e ferviam os lamaçais... De tênues penugens de prata, plumas alvas de cegonha-açú, a Lua viu que estava ameaçada por uma simples mulher. O Sol, que na Oca do Infinito já lhe dera tantas madrugadas de prazer, tantas auroras de puro gosto, apaixonara-se por uma mulher... E de tanto que Tupã quis saber o que era, que a Lua, cheia de ódio, crescente de ciúme, minguando de dor, se fez um novo ser de noite-sem-lua e foi contar tudo para Tupã. Como uma simples mulher ousou amar o Sol? Como o Sol ousou deter o tempo para amar alguém? Que ele nunca mais a visse! Mas o Sol tudo vê!... Tupã ergueu a maior montanha que existia lá e, dentro, encerrou a Princesinha Encantada da Brava Tribo Guerreira do Povo Tupi.

O Sol, de dor, sangrou poentes e quis se afogar no mar. A Lua, com a dor de seu amado, chorou miríades de estrelas, constelados e prantos de luz. Mas nenhum choro foi tão chorado como o da Princesinha, tão bela, que nunca mais pôde ver o dia, que nunca mais sentiria o Sol... Ela chorou rios de lágrimas, Rio Verde, Rio Passa Quatro, Rio Quilombo, rios de águas límpidas, minas, fontes, grotas, ribeiras, enchentes, corredeiras, bicas, mananciais. Seu povo esqueceu-se de seu nome, mas chamou-a de Amantigir, a "Serra-que-chora", Mantiqueira, a montanha que a cobriu...Conta a lenda que foi assim...

Trecho da peça "A Fantástica Lenda de Algure".

ESTRADA REAL

O Hotel Fazenda SERRAVERDE está situado na Estrada Real, além de já ter sido "pouso" de vários Bandeirantes, entre eles Fernão Dias, de seu genro Borba Gato e de outros lendários desbravadores. A Estrada Real representa uma velha cicatriz, lembrança de um corte profundo traçado a partir do litoral do Rio de Janeiro até o coração de Minas Gerais. Por este ferimento, o Brasil sangrou, no século XVIII, algo em torno de 650 toneladas de ouro e outra fábula em diamantes. Nesta ferida aberta correu também muito sangue em pelo menos três movimentos revolucionários que marcaram a história brasileira: a Guerra dos Emboabas, o Levante de 1720 e a Inconfidência Mineira. Na Estrada Real, a ânsia libertária e revolucionária foi punida, presa, esquartejada e os pedaços espalhados nos caminhos como aviso e ameaça.

Os vestígios de todos esses acontecimentos estão, com maior ou menor intensidade, talhados nas feições das cidades ou apropriados pela memória coletiva. Nos lugares por onde passava o Caminho Velho do Ouro, personagens de outro tempo estão em cena. Conversar com eles é abrir a porta do passado para compreender o presente. Hoje, descobrir inteiramente o traço exato da Estrada Real é muito difícil. Haviam muitos caminhos ilegais abertos no mato e usados para burlar os pedágios cobrados pela Coroa e utilizados para assaltos. Houve um enorme carregamento de ouro que foi misteriosamente mexido entre Vila Rica e Guaratinguetá. Quando abriram as caixas, em Lisboa, só havia areia... No percurso de Cunha (SP) a Paraty era onde haviam mais salteadores, segundo relatos.

O primeiro traçado desta estrada, o mais antigo, conhecido como Caminho Velho do Ouro, era o que por aqui passou, saindo de Paraty (RJ) em direção a São João del-Rei, Ouro Preto e Diamantina, cidades históricas mineiras.

A melhor maneira de construir uma estrada é aproveitar um caminho já pronto. No começo do século XVII, os bandeirantes e os aventureiros que chegavam da Europa aproveitaram os caminhos dos índios guainás, que ligavam a baia de Paraty (RJ) ao Vale do Paraíba, em São Paulo, para explorar o interior do país. Inicialmente, essas campanhas partiam à procura de Índios. Depois, transformaram-se em expedições de prospecção. Desse período, a iniciativa mais importante se deve a Fernão Dias que, em abril de 1674, partiu com o filho Garcia Rodrigues, o genro Borba Gato e um exército de aventureiros em busca de pedras preciosas. A inspiração para a bandeira veio das amostras de prata e esmeraldas trazidas por Marcos Azevedo, um aventureiro que terminou seus dias na prisão.

O caminho percorrido por Fernão Dias estabeleceu uma rota segura para o misterioso sertão das Gerais, saindo de São Paulo até Guaratinguetá, no Vale do Paraíba, vencendo a Mantiqueira e atravessando a garganta do Embaú, uma passagem encoberta de matas e nevoeiros, quase um portal para as minas das gerais. Seguindo a trilha dos cataguazes, acompanharam o Rio Verde, passaram por Capivari, Nossa Senhora da Conceição dos Pousos Altos e Baependi, romperam o Rio Grande, acampando, finalmente, junto à Serra Negra. Daí, prosseguiram pela Serra da Borba e seguiram rumo ao Rio das Velhas para se estabelecerem no local conhecido como Sumidouro.

Com o Caminho Velho assegurado, começou um intenso tráfego de bandeiras e aventureiros independentes. E com a prova definitiva das riquezas das Gerais, cresceu a atenção e o interesse da Coroa Portuguesa. Garcia Rodrigues assumiu a responsabilidade de melhorar a estrada e recebeu permissão para traçar uma nova rota, partindo da cidade do Rio de Janeiro, a que ficou conhecida como Caminho Novo e, já no mapa desenhado pelo padre Codeu, aparecem registrados, nos primeiros anos do século XVIII, o Caminho Velho de São Vicente, com acesso por Paraty e passagem por São Paulo, e o Caminho Novo, que partia do Rio de Janeiro, atravessava a Serra dos Órgãos, e encurtava a jornada para o sertão das Minas em mais de vinte dias.

Não demorou muito até Portugal transformar a Estrada Real em tema prioritário de segurança nacional. Como única via entre os portos e as minas de ouro e diamantes, tanto o Caminho Velho quanto o Caminho Novo mereciam vigilância constante. As trilhas receberam postos de controle, pedágio, sendo expressamente proibida, sob pena de morte, a abertura de novas vias de acesso. A carga partia das minas em lombos de escravos ou de burros, transportada em grandes cestos e baús de madeira, e, ao longo da jornada até Paraty e Rio de Janeiro, era pesada, medida e aliviada do quinto, a taxa cobrada pela Coroa. O assunto era de tal importância e a vigilância tão severa que, em 1711, foram recolhidos na Europa todos os livros do viajante Antonil ("Cultura e Opulência do Brasil por suas Drogas e Minas"), padre jesuíta que descreveu com riqueza de detalhes todos caminhos de acesso ao sertão das Minas.

Tanto ouro e diamante motivaram um movimento armado que opunha resistência aos representantes da Coroa. Os paulistas se bateram contra os reinóis ou portugueses, num episódio conhecido como Guerra dos Emboabas, no início do século XVIII. O Rio das Mortes não tem esse nome por acaso, e os conflitos transformaram a Estrada Real num fumegante rastilho de pólvora. Em 1720, os ânimos se acalmaram com a criação da Capitania das Minas Gerais, tornando a região aberta para qualquer um que se dispusesse a tentar a sorte nas minas, fosse reinol ou paulista. No mesmo ano, rompeu, em Vila Rica, uma revolução patente contra o poder português. Um dos líderes do levante, Felipe dos Santos, morreu esquartejado sem julgamento, sob as ordens diretas do 3º Conde de Assumar, Governador das Minas. A estrada seria ainda palco para outro movimento nacionalista, uma revolução sem armas, sem exércitos, sem pólvora e sem sucesso. Em 1788 e 1789, Tiradentes, um pouco militar, um pouco médico, percorreu muitas vezes o Caminho Novo do Ouro, incendiando espíritos com ideais de liberdade inspirados na Revolução Francesa. Depois de sua execução, em 1792, seu corpo foi desmembrado e espalhado pelos ranchos de tropas e estalagens mais movimentados da Estrada.

Com o progressivo esgotamento das jazidas, a Estrada Real transformou-se, a partir de meados do século XVIII, no caminho dos tropeiros, tipo de comerciante itinerante que contribuiu muito para a formação do caráter e do espírito mineiros. As tropas levavam mantimentos e mensagens, aceitavam encomendas e funcionavam como, praticamente, o único vínculo entre o sertão e os povoados desenvolvidos do litoral. No lombo dos burros e na cangalha, os tropeiros carregaram o Brasil por quase dois séculos, em dias de chuva, de Sol, na lama, nas subidas íngremes, no frio intenso das montanhas, batendo cascos nas calçadas escravos, até começarem a ser vencidos pela Estrada de Ferro, cujo primeiro trecho foi inaugurado em 1859. (Trecho extraído da Revista PALAVRA, edição de abril de 1999).

MINAS, A CRIAÇÃO DO BRASIL

Durante os dois primeiros séculos, as Capitanias não passavam de meros entrepostos comerciais ou engenhos produtores de açúcar, quase sem nenhuma articulação entre si. Entendiam-se diretamente com Lisboa, ignorando-se umas às outras e mal reconhecendo a existência dos Governos Gerais. Nem a mesma língua falavam: uma parcela da população usava o português, mas a maioria se comunicava nas línguas indígenas. Viviam voltadas para fora, "arranhando as praias como caranguejos", segundo a pitoresca e sábia definição do historiador Sérgio Buarque de Holanda. A Colônia continuava um território a ser conquistado, imenso e desconhecido, alvo da cobiça internacional, sobretudo de espanhóis e franceses. A situação agravava-se ainda mais com a resistência dos índios, que se opunham tenazmente à ocupação de seus domínios.

Somente a partir do século XVIII, graças à descoberta do ouro em Minas, e, depois, dos diamantes, foi que o Brasil começou a constituir-se como país. As áreas de mineração - as Minas Gerais - tornaram-se o centro econômico do Reino Português, mais ricas do que a Metrópole, e em torno delas se foi integrando a atividade produtiva das diferentes regiões, até mesmo das mais afastadas.

Calcula-se que para Minas afluíram cerca de meio milhão de pessoas, numa das maiores migrações registradas na história. O ouro enriquecia forasteiros vindos de todas as procedências. As quantidades extraídas entre 1700 e 1800 foram superiores a tudo o que havia sido produzido anteriormente no mundo, incluindo as minas do Rei Salomão.

Nos locais da mineração começaram a surgir as primeiras vilas e cidades: Mariana, Ouro Preto, Sabará, Caeté, Congonhas, São João del-Rei, Tiradentes, Pitangui, Diamantina, Serro, Paracatú e dezenas de outras. Iniciava-se um vertiginoso processo de interiorização e urbanização, que o Brasil jamais conhecera. A nascente e urbanizada sociedade mineira diversificou-se: para atender aquela multidão, reunida de uma hora para outra em espaço físico relativamente limitado, era preciso organizar-se. Para aqui vieram juízes, militares, funcionários civis, profissionais liberais, comerciantes, trabalhadores especializados, artesãos, artista e intelectuais. Nascia assim uma classe média influente, que inexistia no resto do país, ainda dominado pela exclusiva relação senhor X escravo.

As Minas converteram-se num poderoso pólo de convergência da atividade econômica. Do Rio, que era o principal porto de saída do ouro, chegavam as mercadorias estrangeiras e os escravos africanos; São Paulo, novas levas de bandeirantes, que descobriram os minerais e julgavam-se os donos da terra; do extremo Sul, os tropeiros gaúchos, fornecedores da carne bovina e de muares usados no transporte; do Nordeste, os fazendeiros trazendo da Bahia, de Pernambuco e de outras áreas banhadas pelo São Francisco, o gado e os produtos agrícolas; de mais longe ainda, os curraleiros do Maranhão, do Piauí e do Pará, enfim, gente proveniente de todos os cantos atraída pelas riquezas do novo eldorado. Os brasileiros se encontravam pela primeira vez. Nas palavras de outro historiador, Luiz Felipe de Alencastro, da Unicamp, "Minas estava inventando o Brasil". Ou melhor: Minas estava criando o Brasil.

Brancos, negros, índios e mestiços, apesar das profundas desigualdades sociais existentes, uniam-se na faina comum da mineração e sentiam-se integrantes de um mesmo país. O português passou a ser a língua dominante, e o território nacional se ia configurando já praticamente com as mesmas delimitações de hoje. Graças ao ouro das Minas Gerais, operou-se assim o milagre da integração brasileira, num contraste com o que se passava no lado hispânico do continente, pulverizado em dezenas de nações.

O Ciclo do Ouro, como se denominou o período da mineração, deu lugar a três fenômenos que marcariam a fundação da nacionalidade brasileira: a consolidação das Minas na condição de eixo aglutinador da Colônia, como sua expressão econômica; a Inconfidência e outras rebeliões, como sua expressão política; e, finalmente, o barroco, sua expressão artística.

Em consequência do ouro, o Brasil assumiu um papel relevante na economia mundial como nunca tivera antes e nem voltaria a ter em nenhum outro momento de sua história. As impressionantes quantidades de minerais preciosos arrancadas daqui, exportadas via Portugal, iriam influir decisivamente na consolidação da Revolução industrial na Inglaterra e na modernização do capitalismo europeu.

As sucessivas rebeliões no território mineiro (Caeté, Vila Rica, Pitangui, São Romão, Campanha, etc.), que desembocaria na Inconfidência, em 1789, sinalizavam para os brasileiros os caminhos da insubordinação e da independência. Tão forte era o sentimento de revolta contra a exploração colonial, que o Conde de Assumar, o tirânico governador da Capitania, foi levado a afirmar que, nas Minas, "a terra parece que evapora tumultos; a água exala motins".

Nas condições especiais da mineração, determinadas pelas influência procedentes de todas as partes do Reino, e de seu superior isolamento em virtude das medidas protecionistas adotadas pela Coroa, iria surgir uma cultura nova, autônoma, que chamaria as atenções pela sua originalidade e força criativa. O barroco mineiro foi a manifestação desta cultura e teve no Aleijadinho, considerado o maior artista plástico brasileiro de todos os tempos, seu símbolo maior. Podemos dizer que a arte realmente nacional surgiu com a escola barroca de Minas, de modo particular na escultura, na pintura e na arquitetura.

O Ciclo do Ouro constituiu assim o marco inaugural da atual sociedade brasileira.

A história é um dos mais importantes patrimônios de Minas, e não somente porque estão aqui as origens do Brasil como nação.

Através dos tempos, vamos encontrar sua presença nos momentos determinantes da vida nacional, desde a resistência indígena à ocupação de seus domínios, ainda no século XVI; os primeiros achados de ouro em fins dos anos seiscentos; a opulência do século XVII, com o barroco, a Inconfidência e as outras revoltas em busca da independência; a Revolução Liberal e a reação aos desmandos do Império, no século passado; e depois, no presente, a política do café-com-leite, a campanha de Artur Bernardes em defesa de nossos minérios, a participação decisiva na Revolução de 30, o Manifesto dos Mineiros e a reconquista da democracia em 1945, a luta a favor do monopólio do petróleo, o fatídico episódio de 64, as diretas, a redemocratização e a eleição de Tancredo, colocando assim a história de Minas junto com a história do Brasil.

E... enfim,... boa viagem, pelos caminhos de Minas!

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